NA ENCRUZILHADA DOS
ENCONTROS
TÍTULO: PECADORES
DIREÇÃO: RYAN COOGLER
ROTEIRO: RYAN COOGLER
ELENCO:
MICHAEL B. JORDAN: Elijah e Elias
Moore
HAILLE STEINFELD: Mary
MILES CATON: Sammie Caton
JACK O’CONNELL: Remmick
TRILHA SONORA: LUDWIG GORANSSON
PRODURORA: WARNER BROS.
EXIBIÇÃO: HBO MAX
A encruzilhada é sempre um
encontro de duas, ou mais, estradas ou ruas. Enfim, encontros e sobreposição de
caminhos. E a caminhada dos personagens em pecadores se encontram, ou
reencontram.
Sem dúvida, o diretor Ryan
Coogler, de Pantera Negra (2018) e Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, consegue
sobrepor várias camadas como sedimentos trazidos pelo longo Mississipi para o
seu delta, onde florescem algodão e sonhos dos negros em suas amarguras e
resistências.
Lembra o recente debate que
participei pelo Site do André Barcinski sobre o romance O grande Gatsby, de F.
Scott Fitzgerald, em que após a Primeira Grande Guerra, a prosperidade para os
brancos do norte mostrada no livro e adaptações não chegaram para os negros do
sul, a não ser para os irmãos Fumaça e Fuligem, que, assim como O Grande
Gatsby, vai atrás de seu sonho a partir de fortunas conseguidas de maneiras
misteriosas/criminosas.
Se Gatsby vai atrás da mulher que
ele sempre amara, os irmãos negros voltam ao delta para realizar seu sonho de
abrir o Juke Joint dos seus sonhos, para seus amigos de longas datas, e seu
primo que tinha talento musical e um conflito com seu pai que era pastor.
Não achei o terror do filme assim
tão terror. No máximo um horror. O vampirismo em meio à opressão do Mississipi
é um dos pratos que se completam para quem queria entregar uma refeição
completa, como o diretor disse em uma ENTREVISTA.
Mas as pitadas de jumpscare no início é que de fato assustam. E não há como
negar que o Juke Joint de Fuligem e Fumaça foi inaugurado sobre um terreno
encharcado de atrocidades. Fica implícito que a serraria, comprada pelos
irmãos, era o local em que a facção local da Ku Klux Klan, em que o ex-dono do
local e líder do grupo supremacista, Hogwood, cometia os sacrilégios dos
negros, manchando de sangue a terra coberta pela alvura dos algodoais.
Alguns buscaram uma comparação
com Um drink no inferno por causa da luta contra vampiros em um bar na beira da
estrada. Mas este não tem tantas camadas como Pecadores.
É de fato uma encruzilhada de
gêneros:
Terror/Vampirismo: Remmick, o
vampiro irlandês, uma referência a Bram Stoker, autor de Drácula. Além do
vampirismo, a evocação de seres do passado e do futuro pela música de Sammie “Preacher
Boy” Moore, e o hoodoo praticado por Annie, que é quem sabia como enfrentar os
vampiros.
Ação: A cena final é digna de um
Rambo e qualquer outro personagem de ação do cinema. Há uma pequena ação dos
índios Choctaw, como caçadores de vampiros.
Uma pitada de faroeste surge quando
se atira em plena luz do dia em dois sujeitos que tentavam roubar a carga do
caminhão.
Musical: O filme é uma verdadeira
ode ao blues. Ele mostra como a música expressa amarguras e serve de
resistência para os que vivem sob o sol da opressão. E a atuação de Miles
Caton, cantor e compositor de Blues, no papel de Sammie Moore ainda jovem, e
Buddy Guy, fazendo o mesmo Sammie já na velhice, faz de Pecadores um musical ancorado
no realismo, apesar da linha fantástica que atravessa a obra toda.
TRAILLER
RESENHAS ALEATÓRIAS