domingo, 6 de julho de 2025

RESENHA AVULSA: PECADORES:

 

NA ENCRUZILHADA DOS ENCONTROS


TÍTULO: PECADORES

DIREÇÃO: RYAN COOGLER

ROTEIRO: RYAN COOGLER

ELENCO:

MICHAEL B. JORDAN: Elijah e Elias Moore

HAILLE STEINFELD: Mary

MILES CATON: Sammie Caton

JACK O’CONNELL: Remmick

TRILHA SONORA: LUDWIG GORANSSON

PRODURORA: WARNER BROS.

EXIBIÇÃO: HBO MAX

 
A encruzilhada é sempre um encontro de duas, ou mais, estradas ou ruas. Enfim, encontros e sobreposição de caminhos. E a caminhada dos personagens em pecadores se encontram, ou reencontram.
 
Sem dúvida, o diretor Ryan Coogler, de Pantera Negra (2018) e Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, consegue sobrepor várias camadas como sedimentos trazidos pelo longo Mississipi para o seu delta, onde florescem algodão e sonhos dos negros em suas amarguras e resistências.
 
Lembra o recente debate que participei pelo Site do André Barcinski sobre o romance O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, em que após a Primeira Grande Guerra, a prosperidade para os brancos do norte mostrada no livro e adaptações não chegaram para os negros do sul, a não ser para os irmãos Fumaça e Fuligem, que, assim como O Grande Gatsby, vai atrás de seu sonho a partir de fortunas conseguidas de maneiras misteriosas/criminosas.
 
Se Gatsby vai atrás da mulher que ele sempre amara, os irmãos negros voltam ao delta para realizar seu sonho de abrir o Juke Joint dos seus sonhos, para seus amigos de longas datas, e seu primo que tinha talento musical e um conflito com seu pai que era pastor.
 
Não achei o terror do filme assim tão terror. No máximo um horror. O vampirismo em meio à opressão do Mississipi é um dos pratos que se completam para quem queria entregar uma refeição completa, como o diretor disse em uma ENTREVISTA. Mas as pitadas de jumpscare no início é que de fato assustam. E não há como negar que o Juke Joint de Fuligem e Fumaça foi inaugurado sobre um terreno encharcado de atrocidades. Fica implícito que a serraria, comprada pelos irmãos, era o local em que a facção local da Ku Klux Klan, em que o ex-dono do local e líder do grupo supremacista, Hogwood, cometia os sacrilégios dos negros, manchando de sangue a terra coberta pela alvura dos algodoais.
Alguns buscaram uma comparação com Um drink no inferno por causa da luta contra vampiros em um bar na beira da estrada. Mas este não tem tantas camadas como Pecadores.
 

É de fato uma encruzilhada de gêneros:

Terror/Vampirismo: Remmick, o vampiro irlandês, uma referência a Bram Stoker, autor de Drácula. Além do vampirismo, a evocação de seres do passado e do futuro pela música de Sammie “Preacher Boy” Moore, e o hoodoo praticado por Annie, que é quem sabia como enfrentar os vampiros.
Ação: A cena final é digna de um Rambo e qualquer outro personagem de ação do cinema. Há uma pequena ação dos índios Choctaw, como caçadores de vampiros.
Uma pitada de faroeste surge quando se atira em plena luz do dia em dois sujeitos que tentavam roubar a carga do caminhão.
Musical: O filme é uma verdadeira ode ao blues. Ele mostra como a música expressa amarguras e serve de resistência para os que vivem sob o sol da opressão. E a atuação de Miles Caton, cantor e compositor de Blues, no papel de Sammie Moore ainda jovem, e Buddy Guy, fazendo o mesmo Sammie já na velhice, faz de Pecadores um musical ancorado no realismo, apesar da linha fantástica que atravessa a obra toda.

TRAILLER


RESENHAS ALEATÓRIAS





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