A DIFÍCIL ARTE DE DESENTOCAR O COELHO
CURTINDO UM CURTA: ESTILHAÇOS
SÉRIE: CURTINDO UM CURTA
TÍTULO: ESTILHAÇOS
DIREÇÃO: GABRIELA NOGUEIRA
ROTEIRO: GABRIELA NOGUEIRA
ELENCO: MARIANA STUDART, IGOR CONRADO E CAMILA FEITOSA.
PRODUTORA: PELE AZUL
EXIBIÇÃO: ITAÚ CULTURAL PLAY 
A primeira ideia que o título do curta Estilhaços, da
diretora estreante Gabriela Nogueira nos sugere algo fragmentado.
Gabriela Nogueira é graduada no curso de Cinema e
Audiovisual da Universidade de Fortaleza, atua primariamente na área de direção
de arte. Com experiência em curtas como A Mulher da Pele Azul e A
Fome que Devora o Coração, Estilhaços é sua primeira produção
audiovisual como diretora e roteirista. Realizado durante as incertezas da
pandemia de COVID-19, o curta conquistou o prêmio do Júri Popular no Recifest.
As imagens entre estilhaços que misturam realidade e
fantasia, uma jovem artista plástica é assombrada por um coelho macabro. Sem
saber o que é verdade, coragem ou insanidade, ela luta para impedir que seus
pesadelos se tornem realidade, são carregadas de símbolos que são nada mais que
fragmentos do simbolismo-motor que é a do fim da infância que ainda habita o
coração da jovem, impedindo-a de seguir livremente pelos corredores apertados
da vida adulta, voltando sempre para sua alcova.
O início do filme já nos coloca dentro do ambiente claustrofóbico
que nos remete a um pesadelo da moça. Então, o celular desperta. Entendemos que
se trata de uma pintora. Mas a tremura toma conta em breve.
O som de crianças como se fossem habitantes da sua casinha
de bonecas. Comprimidos jogados no
sanitário que são trazidos de volta pelo coelho de garras medonhas. O programa
de culinária, seria o da Ana Maria Braga? Invadido pelo coelho-monstro e
imagens psicodélicas no programa infantil, e o alerta de que ela que não tem
como fugir, são os estilhaços que ferem a alma da personagem principal em que
Marina Studart interpreta muito bem. E o vilão da história, o coelho que não
quer ser desentocado, interpretado por Igor Conrado, realmente causa terror com
pitadas de bom mocinho, apenas deixa a desejar, mas nem tanto a ponto de comprometer
sua atuação, na entonação da voz no final do filme.
Achei a diretora com ares de promissora a partir deste seu
primeiro trabalho. Quem venha outros. A direção de arte, que remete ao
álbum Dollhouse, de Melanie Martinez, transforma toda sutileza de um quarto
infanto-juvenil com material e amostras de arte plástica é um contraste com a
narrativa que vai nos envolvendo na angústia da moça que precisa matar o coelho
da infância que insiste me ajudá-la a manter sua casinha de bonecas.
OBRIGADO PELA LEITURA!
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