sexta-feira, 15 de agosto de 2025

CURTINDO UM CURTA: ESTILHAÇOS

 

A DIFÍCIL ARTE DE DESENTOCAR O COELHO

CURTINDO UM CURTA: ESTILHAÇOS
SÉRIE: CURTINDO UM CURTA
TÍTULO: ESTILHAÇOS
DIREÇÃO: GABRIELA NOGUEIRA
ROTEIRO: GABRIELA NOGUEIRA
ELENCO: MARIANA STUDART, IGOR CONRADO E CAMILA                      FEITOSA.
PRODUTORA: PELE AZUL
EXIBIÇÃO: ITAÚ CULTURAL PLAY



A primeira ideia que o título do curta Estilhaços, da diretora estreante Gabriela Nogueira nos sugere algo fragmentado.
 
Gabriela Nogueira é graduada no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza, atua primariamente na área de direção de arte. Com experiência em curtas como A Mulher da Pele Azul e A Fome que Devora o Coração, Estilhaços é sua primeira produção audiovisual como diretora e roteirista. Realizado durante as incertezas da pandemia de COVID-19, o curta conquistou o prêmio do Júri Popular no Recifest.
 
As imagens entre estilhaços que misturam realidade e fantasia, uma jovem artista plástica é assombrada por um coelho macabro. Sem saber o que é verdade, coragem ou insanidade, ela luta para impedir que seus pesadelos se tornem realidade, são carregadas de símbolos que são nada mais que fragmentos do simbolismo-motor que é a do fim da infância que ainda habita o coração da jovem, impedindo-a de seguir livremente pelos corredores apertados da vida adulta, voltando sempre para sua alcova.
 
O início do filme já nos coloca dentro do ambiente claustrofóbico que nos remete a um pesadelo da moça. Então, o celular desperta. Entendemos que se trata de uma pintora. Mas a tremura toma conta em breve.
 
O som de crianças como se fossem habitantes da sua casinha de bonecas.  Comprimidos jogados no sanitário que são trazidos de volta pelo coelho de garras medonhas. O programa de culinária, seria o da Ana Maria Braga? Invadido pelo coelho-monstro e imagens psicodélicas no programa infantil, e o alerta de que ela que não tem como fugir, são os estilhaços que ferem a alma da personagem principal em que Marina Studart interpreta muito bem. E o vilão da história, o coelho que não quer ser desentocado, interpretado por Igor Conrado, realmente causa terror com pitadas de bom mocinho, apenas deixa a desejar, mas nem tanto a ponto de comprometer sua atuação, na entonação da voz no final do filme. 

Achei a diretora com ares de promissora a partir deste seu primeiro trabalho. Quem venha outros. A direção de arte, que remete ao álbum Dollhouse, de Melanie Martinez, transforma toda sutileza de um quarto infanto-juvenil com material e amostras de arte plástica é um contraste com a narrativa que vai nos envolvendo na angústia da moça que precisa matar o coelho da infância que insiste me ajudá-la a manter sua casinha de bonecas. 

OBRIGADO PELA LEITURA!



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